Publicações - Monocultura
Autor: André Farias, Ana Natalia Silva, João Gabriel Brito Revista: O Social em Questão – Ano XXVIII – nº 61 – Jan a Abr /2025
À luz da ecologia política, o artigo analisa a relação entre grandes projetos e direitos humanos, assim como suas repercussões sobre a gestão socioambiental na Amazônia paraense, enfatizando os danos, riscos e conflitos produzidos pelas monoculturas de dendê, soja e arroz, para as populações tradicionais. Mediante abordagem qualitativa e multidisciplinar, utiliza pesquisas bibliográfica e documental, bem como observação direta. Considerando a contradição e a complexidade inerentes àquela gestão, a pesquisa aponta que há inúmeros problemas socioambientais decorrentes do modelo econômico neoextrativista baseado em commodities, e que o Estado não apresenta instrumentos e mecanismos adequados à proteção dos direitos humanos dos grupos sociais atingidos.
Autores: Amanda Santos, André Farias, Marcus Freitas Revista: Revista Agrossistemas, v. 12, n. 2, 2020
O monocultivo de dendê (Elaeis guineensis Jacq.) para fins de utilização para Biodiesel soma-se às atividades do agronegócio presentes na Amazônia. Destaca-se que o setor agropecuário é responsável por significativa parcela dos bens produzidos na economia regional e nacional, mas gera importantes impactos socioambientais que precisam ser considerados no processo de formulação, execução e avaliação das políticas. O Programa de Produção Sustentável de Óleo de Palma (PPSOP) foi uma iniciativa que buscava integrar indústria e agricultura familiar, além de “promover a sustentabilidade da produção agrícola” para fins de produção de biocombustível. Neste artigo são analisados o processo de criação e implantação do referido Programa no território da Amazônia Paraense, bem como as principais transformações na agricultura familiar, problematizando seu caráter de política agroambiental e sustentabilidade. Para tal, foi realizada análise documental, bibliográfica, e pesquisa de campo. Constatou-se que a dendeicultura está assentada na expansão da fronteira agrícola na Amazônia, dirigida pelo Estado, causando impactos significativos sobre as populações locais e os recursos naturais, como: especulação fundiária e um novo ciclo de êxodo rural; aumento do desmatamento; degradação do solo; poluição dos recursos hídricos pelo uso indiscriminado de agrotóxico; perda de biodiversidade e riscos à saúde humana. Face a esta problemática socioambiental, percebeu-se que o PPSOP não pode ser identificado como uma política agroambiental e não colabora para a sustentabilidade. Para tal, precisaria ser acompanhado de políticas públicas mais amplas, estruturais, como: regularização fundiária; fiscalização de normas trabalhistas; normatização do uso de agrotóxicos e proteção ambiental. Neste sentido, experiências de produção agroecológica; manejo sustentável de florestas; acordos comunais de pesca; etc. tendem a se constituir em experiências exitosas de política agroambiental, na medida que envolvem saber local, conservação ambiental, distribuição igualitária dos benefícios e dos riscos ambientais tendem a constituir-se em exemplos exitosos de política agroambiental.
Autores: Amanda Santos, André Farias, Otávio do Canto Revista: Revista Tecnologia e Sociedade, v. 16, n. 39, 2020
A pesquisa tem como objetivo analisar o papel das principais empresas produtoras do óleo de palma acerca dos conflitos socioambientais, na região do Nordeste do Pará. Optou-se pelo uso da abordagem da Economia Política do Meio Ambiente, com o uso da macroanálise, por meio da análise documental e aplicação de entrevista não-estruturada com os atores sociais envolvidos. Foram identificadas questões como o processo de formalização do trabalho, a fiscalização do trabalho infantil, a prestação de contas, a ausência de assistência técnica, a falha na entrega do adubo, o transporte no ponto de coleta, a formas de pagamento do cacho de fruto fresco, o uso de agrotóxico e a invasão de terra que se relacionam com o conflito. Assim, este trabalho demonstrou que a inserção das empresas de palma na Amazônia Paraense causa enfrentamento dos atores envolvidos devido as desigualdades na lógica de produção e que as empresas de dendê buscam estratégias de mediar o conflito socioambiental.
Autores: Rosa Helena Ribeiro Cruz. André Luis Faria R Revista: Geoamazônia, v. 5, nº 10, 2017
O objetivo da pesquisa foi identificar os impactos socioambientais causados pelo uso de agrotóxicos em cultivo de palma de dendê nos recursos hídricos. A abordagem teórica que norteou as análises foi à ecologia política. Para a detecção de agrotóxicos, foram aplicadas as metodologias da cromatografia gasosa. Foram realizadas coletas de macrófitas as margens das sub-bacias, para determinação da existência de espécies aquáticas bioindicadoras de contaminação da água por rejeitos orgânicos. Para a confecção da representação gráfica foram obtidas imagens SRTM junto ao repositório “Topodata” do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Os resultados demonstraram a insatisfação dos agricultores com a adesão ao Programa Nacional de Uso de Biodiesel. Na análise toxicológica das águas, constataram-se traços de atrazina e glifosato nas sub-bacias do rio Anuerá e sub-bacia do Aui-Açu. Detectou-se também a presença de macrófitas flutuantes- fixas, flutuantes-fixas, flutuantes submersas, acusando processo de eutrofização nos rios.
Autores: Anderson LAMEIRA, Otávio do CANTO, Ricardo LIMA, André FARIAS Revista: Instituto Histórico Geográfico do Pará, Geoamazônia, v. 4, nº 11, 2017
O crescimento apresentado pela soja nos últimos anos, aliado a necessidade constante de buscar novas áreas para o plantio de grãos, colocou o Amapá dentro da nova fronteira agrícola nacional. O fragmento de cerrado presente no Estado, a anos pressionado pe aproximadamente 1/3 desse bioma, agora divide espaço com o cultivo de grãos, principalmente a soja. O crescente aumento da atividade está relacionado as características geográficas do estado e a formatação de infraestrutura adequada a manutenção da agricultura comercial. A entrada do Amapá, na rota de exportação de grãos advindos do centro 380 são bons exemplos a serem citados. Este trabalho objetiva analisar a apropriação e o uso do cerrado amapaense, especificamente nos municípios de Macapá e Itaubal, após a entrada da agricultura de grãos, entre o período de 2010 a 2015.
Autores: Amanda Santo; André Luís Farias; Luís Otávio do Canto; Rosana Maneschy Evento: Anais do II Congresso Internacional de Ciências Agrárias, 2017
O setor agropecuário é responsável por significativa parcela dos bens produzidos na economia brasileira, mas também gera importantes impactos ambientais que precisam ser considerados no processo de formulação das políticas de desenvolvimento da produção. No Brasil o termo agroambiental permite novos arranjos, inserindo questões relacionadas à educação e pesquisa diferenciada, devendo ser articulados com os demais conceitos presentes no contexto brasileiro, com o protagonismo do Estado no processo de articulação de políticas da produção agrícola com a conservação ambiental. As políticas agroambientais devem contar com ações previamente articuladas do Estado no sentido de promover o desenvolvimento agrícola e agrário incorporando a dimensão ambiental como pressuposto da sua elaboração. No contexto da abordagem agroambiental, surgem iniciativas que buscam integrar políticas setoriais e promover a sustentabilidade da produção agrícola como o programa nacional de produção de biodiesel (PNPB). Neste estudo foram descritas as políticas agroambientais propostas para produção de biodiesel buscando apontar as fragilidades das mesmas, com ênfase no nordeste do Pará. Para isso foi realizada pesquisa documental e bibliográfica, e, analisou-se os dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário referentes ao PNPB. Constatou-se que face à problemática ambiental, percebe-se que as políticas agroambientais para produção de biodiesel precisam ser acompanhadas de políticas mais amplas, estruturais, que visem formação diferenciada dos atores no nordeste paraense, pois o PNPB, está em confronto com problemas de sustentabilidade, talvez por estar
assentado na expansão desordenada da fronteira agrícola do dendê, causando impactos significativos sobre os recursos naturais e contribuindo para o agravamento de problemas ambientais, sociais e econômicos na região.
